Fator R no Simples Nacional: como funciona, com exemplo em reais
Equipe FinanPJ · 31/10/2026 · 6 min de leitura
O Fator R no Simples Nacional é a conta que decide se algumas atividades de serviço pagam imposto pelo Anexo III ou pelo Anexo V. Você divide a folha de pagamento dos últimos 12 meses (salários, pró-labore e encargos como FGTS) pela receita bruta dos mesmos 12 meses. Se o resultado for 28% ou mais, a empresa é tributada pelo Anexo III, cuja alíquota inicial é 6%. Abaixo de 28%, cai no Anexo V, que começa em 15,5%. Num exemplo com faturamento de R$ 14 mil por mês, essa diferença passa de R$ 1.300 por mês no DAS, e por isso vale entender a conta e acompanhar todo mês.
Abaixo, quem está sujeito ao Fator R, o que entra no cálculo, um exemplo completo em reais e os cuidados antes de aumentar o pró-labore.
Quem está sujeito ao Fator R
O Fator R não vale para todo mundo no Simples. Ele se aplica a um grupo de atividades de serviço, em geral de natureza técnica ou intelectual, que a lei permite tributar pelo Anexo III ou pelo Anexo V conforme o peso da folha. Comércio, indústria e boa parte dos serviços ficam fora dessa regra.
Quem diz se a sua empresa está nesse grupo é a atividade registrada no CNPJ (o CNAE). Se você presta serviço profissional, como consultoria ou serviços técnicos, pergunte ao seu contador, com essas palavras: "minha atividade está sujeita ao Fator R?". A resposta muda muito a conta de imposto.
Como calcular o Fator R
A fórmula é simples:
Fator R = folha de salários dos últimos 12 meses ÷ receita bruta dos últimos 12 meses
O que entra na folha
- Salários dos funcionários, incluindo 13º e férias.
- Pró-labore dos sócios.
- FGTS recolhido e a contribuição previdenciária patronal efetivamente paga, quando houver.
O que não entra
- Distribuição de lucros aos sócios.
- Aluguéis e pagamentos a outras empresas, como prestadores com CNPJ.
A janela é móvel
Os 12 meses considerados são os anteriores ao mês de apuração. Isso quer dizer que o Fator R é recalculado todo mês e a empresa pode mudar de anexo de um mês para o outro. Um mês de faturamento muito alto ou um funcionário que saiu já mexem no resultado.
Anexo III e Anexo V: a diferença na primeira faixa
As duas tabelas têm várias faixas de faturamento. Na primeira faixa (receita bruta de até R$ 180 mil nos últimos 12 meses), a alíquota efetiva é igual à nominal:
| Anexo III | Anexo V | |
|---|---|---|
| Quando se aplica | Fator R igual ou maior que 28% | Fator R menor que 28% |
| Alíquota da 1ª faixa | 6% | 15,5% |
| DAS sobre R$ 10.000 de receita no mês | R$ 600 | R$ 1.550 |
Nas faixas seguintes entra a parcela a deduzir e a conta da alíquota efetiva fica mais trabalhosa. A lógica, porém, continua a mesma: o Anexo III sai mais barato. Peça ao contador a simulação na sua faixa.
Fator R no Simples Nacional: exemplo em reais
Veja o caso fictício da Rumo Consultoria, uma empresa de um sócio só, sem funcionários, cuja atividade está sujeita ao Fator R. Ela fatura R$ 14.000 por mês, o que dá R$ 168.000 nos últimos 12 meses (primeira faixa). Para simplificar, o exemplo considera só o pró-labore como folha.
Cenário 1: pró-labore de R$ 2.000
- Folha em 12 meses: R$ 24.000.
- Fator R: R$ 24.000 ÷ R$ 168.000 = 14,3%.
- Abaixo de 28%: Anexo V, alíquota de 15,5%.
- DAS do mês: R$ 14.000 × 15,5% = R$ 2.170.
Cenário 2: pró-labore de R$ 3.920
- Folha em 12 meses: R$ 47.040.
- Fator R: R$ 47.040 ÷ R$ 168.000 = 28%.
- Chegou a 28%: Anexo III, alíquota de 6%.
- DAS do mês: R$ 14.000 × 6% = R$ 840.
A diferença no DAS é de R$ 1.330 por mês. Mas a conta não termina aí: sobre o pró-labore incide a contribuição do sócio ao INSS (11%, retida da própria retirada). Com R$ 2.000, ela é de R$ 220. Com R$ 3.920, sobe para R$ 431,20, ou seja, R$ 211,20 a mais. Pode haver ainda imposto de renda retido na fonte, conforme a tabela vigente. Mesmo assim, no exemplo, sobram cerca de R$ 1.100 por mês a favor da empresa.
Um ponto que muita gente não percebe: o pró-labore maior não é um custo novo. É o mesmo dinheiro que o sócio já tirava da empresa como distribuição de lucros, só que pago de outra forma. Para entender como chegar ao valor, veja como definir o valor do pró-labore.
O detalhe da janela de 12 meses
Se a Rumo aumentar o pró-labore hoje de R$ 2.000 para R$ 3.920, o Fator R não chega a 28% no mês seguinte. A média dos 12 meses ainda carrega os meses antigos de R$ 2.000. Na prática, com R$ 3.920 fixos, a empresa só alcança 28% quando completar 12 meses no valor novo.
Para chegar antes, o pró-labore precisa ficar mais alto por um período. Com R$ 5.000 por mês, cada mês soma R$ 3.000 a mais que o anterior: são necessários 8 meses para a folha de 12 meses passar de R$ 47.040 (R$ 24.000 + 8 × R$ 3.000 = R$ 48.000). Por isso a decisão precisa ser planejada com antecedência e com o caixa em mente.
Passo a passo para acompanhar o Fator R todo mês
- Confirme com o contador se a sua atividade está sujeita ao Fator R.
- Some a folha dos últimos 12 meses: pró-labore, salários, 13º, férias e encargos que entram no cálculo.
- Some a receita bruta dos mesmos 12 meses.
- Divida um pelo outro e compare com 28%.
- Projete os próximos meses: se o faturamento vai subir, o Fator R cai, e você pode voltar ao Anexo V sem perceber.
- Simule o ajuste de pró-labore com o contador, incluindo INSS e imposto de renda do sócio, antes de mudar o valor.
- Reserve o imposto todo mês pelo anexo em que você realmente está. Veja como provisionar impostos todo mês.
Erros comuns com o Fator R
- Calcular com um mês só. A regra usa 12 meses de folha e 12 meses de receita, não o mês corrente.
- Contar distribuição de lucros como folha. Lucro distribuído não entra no Fator R.
- Esquecer que o faturamento cresce. Quem está em 29% e fecha um contrato grande pode cair abaixo de 28% no mês seguinte.
- Aumentar o pró-labore sem olhar o caixa. O imposto cai, mas a retirada maior sai todo mês. Confira se o fluxo de caixa aguenta.
- Ignorar o custo do lado do sócio. INSS e imposto de renda sobre o pró-labore reduzem a economia e precisam entrar na conta.
- Não revisar a regra. A reforma tributária está em implantação gradual e pode mudar detalhes nos próximos anos. Confirme sempre a regra vigente com o contador.
Se o seu escritório nunca falou de Fator R com você e sua atividade é de serviço, vale fazer essa pergunta. E se as respostas não vêm, talvez seja o caso de ler sobre como trocar de contador sem perder prazos.
Onde enxergar folha e receita em 12 meses
Para fazer a conta você precisa de dois totais confiáveis: receita bruta e gastos com pessoal, mês a mês. No FinanPJ, o fluxo de caixa em matriz de categoria por mês mostra pró-labore, salários e receitas lado a lado, e a DRE gerencial soma tudo por período. Com isso, o cálculo do Fator R leva poucos minutos.
Teste grátis e acompanhe seu Fator R
Organize receitas e despesas com pessoal por categoria e tenha os números dos últimos 12 meses à mão para conversar com o contador. São 14 dias grátis, sem cartão de crédito. Crie sua conta.
Foto: Volodymyr Hryshchenko na Unsplash
Perguntas frequentes
O que é o Fator R no Simples Nacional?
É a divisão da folha de salários dos últimos 12 meses, incluindo pró-labore e encargos como FGTS, pela receita bruta do mesmo período. Para algumas atividades de serviço, um resultado de 28% ou mais leva a empresa ao Anexo III. Abaixo disso, ela fica no Anexo V, que é mais caro.
Pró-labore entra no cálculo do Fator R?
Sim. O pró-labore dos sócios entra na folha de salários do Fator R. A distribuição de lucros não entra.
O Fator R é calculado todo mês?
Sim. A conta usa sempre os 12 meses anteriores ao mês de apuração, então pode mudar de um mês para o outro. Por isso a empresa pode alternar entre Anexo III e Anexo V ao longo do ano.
Vale a pena aumentar o pró-labore para atingir o Fator R?
Muitas vezes sim, porque a queda do DAS costuma ser maior que o INSS e o imposto de renda a mais sobre o pró-labore. Mas depende do faturamento, da faixa e do caixa da empresa. Faça a simulação com o contador antes de mudar o valor.